Ouvi passos pela casa, e pequenos sussurros. Eu esperei e esperei, até que finalmente senti algo na minha mão, mas a textura não era a da sua pele macia. Ela tinha botado uma luva. Sei que estava toda suja de poeira e que minha mãe estava assustada, mas tudo que precisava era que ela me confortasse nos seus braços, como fazia quando eu ainda era uma garotinha. Agora suas luvas pareciam uma barreira entre nós e eu me sentia verdadeiramente rejeitada, apenas uma obrigação e um peso na sua vida. Tive que apertar os olhos com força para impedir que mais lágrimas caíssem.

Ela me levou até embaixo do chuveiro e esperou enquanto eu tirava as roupas. Abriu a água e colocou o sabonete em minha mão. Depois que acabei me enrolou numa toalha grossa e me levou até o quarto. Sentei na cama e escutei enquanto gavetas e portas abriam e fechavam. Senti algo sendo botado ao meu lado e sua voz suave me dizendo que eu me vestisse.  Ela parecia estar tentando se controlar, como se pudesse simplesmente pirar a qualquer momento se mais alguma coisa desse errado. Coloquei a roupa, me esforçando para aguentar firme e ser forte por ela, mesmo estando completamente apavorada. Ela me ajudou a deitar na cama e saiu do quarto silenciosamente.