As coisas do ódio

Ainda odeio o homem com todas as forças do meu coração, mas tenho que admitir que não estaria viva até agora se não fosse por ele. Ele me alimentou, me proveu de informações que conseguia com os Sussurros, me ensinou tudo o que eu precisava saber para sobreviver no caos que o Brasil se tornou.  No início não foi fácil. Conviver com o Coronel era como ser obrigada a me alistar no exército. Eu tinha apenas doze anos, mas ele parecia não se compadecer de mim. Em troca da comida me fazia limpar a casa e se eu deixasse qualquer sujeirinha que fosse, diminuía a quantidade de alimento que me fornecia. Como poderia saber onde tinha sujeira? Eu estava cega! Mas isso não parecia fazer a menor diferença para ele. O tempo foi passando e aprendi a limpar a casa com perfeição, parecia que meus sentidos ficavam cada vez mais aguçados. Na verdade, o tempo me trouxe muitos bônus. Não tinha ideia do que estava acontecendo comigo. Eu continuava cega. Não conseguia desenhar, nem ler, nem ver o rosto das pessoas. Mas de alguma forma conseguia distinguir, cada vez mais claramente, os contornos ao meu redor. Já sabia quando alguém estava se aproximando de mim e não esbarrava mais em nada. Conseguia perceber a forma das coisas de maneira tão única e especial que chegava a ficar emocionada. Era como um presente de consolo. Não faço ideia de como explicar isso, mas se fosse comparar a algo, seria mais ou menos como usar óculos de visão noturna, só que ao contrário. Na verdade, minha habilidade se intensificava durante o dia, quando a luz solar batia nas coisas a minha volta. Mas de noite, ela era praticamente inexistente. E não foi só isso. Minha audição também continuou a melhorar. Eu podia escutar a pulsação das pessoas, ouvia gritos e choros à distância e conseguia até mesmo escutar conversas sussurradas atrás de portas fechadas. Tentei guardar essas informações só para mim, mas o Coronel era muito perspicaz. Já tinham se passado mais de dois anos desde que eu havia entrado pela porta do seuapartamento, quando ele me pegou observando a cidade da varanda.

Voltei as minhas atividades, mas ele começou a prestar mais atenção em mim. Eu percebia que ele tinha começado a fazer pequenos testes e meditava sobre teorias. Até que um dia ele estava sentado no sofá e acho que cansado de meditar, jogou do nada uma tesoura em minha direção. Vi o objeto rodopiando, vindo diretamente até mim, e imediatamente desviei. Ele ficou me olhando enquanto eu botava a mão no coração e me refazia do susto.
Acho que a partir daquele dia deixei de ser uma empregada para ele e me tornei um projeto pessoal. Mas não pense que isso significa que as coisas melhoraram. Eu continuei fazendo faxina na casa, mas agora, ao invés de descansar no meu tempo livre, fazia exercícios. Ele realmente começou a me treinar. Como se eu estivesse no exército. Uma menina de quatorze anos. E aquilo era um inferno.
Eu me sentia como uma gelatina molenga me arrastando para voltar ao meu apartamento à noite, prestes a se desmanchar em pedacinhos.  Se fizesse qualquer coisa errada ele explodia comigo, me chamava de burra por não conseguir aprender. Dizia que meus pais é que tinham sido espertos por me deixarem para trás. Se eu ousasse chorar ele me mandava embora e me deixava sem comida. Com o tempo, simplesmente parei de me importar com tudo que ele dizia. Criei uma barreira intransponível até o meu coração. Não ia deixar aquele mostro me destruir. Um dia ele trouxe um rapaz para o apartamento e me mandou lutar contra ele. Aquilo foi incrivelmente assustador. Eu conseguia perceber o quanto ele era grande e forte. Não podia acreditar que o Coronel pudesse me obrigar a fazer aquilo. Que terrível lugar era esse que o mundo havia se tornado? É claro que não durei nem um minuto naquela luta. Antes que pudesse desferir ao menos um golpe que tinha aprendido, aquele brutamontes me imobilizou sem nem mesmo derramar uma gota de suor. Fui para casa com fome e me sentindo humilhada.

Quando o mundo não é mais o mesmo

Depois daquele dia as coisas nunca mais foram as mesmas. Até lá do alto eu podia ouvir o caos que a cidade havia se tornado. Faltou energia logo depois da explosão, mas carros com alto-falantes nas ruas nos instruíam a permanecer em casa. Meus pais não ousavam chegar muito perto de mim, mas eu escutava seus sussurros. Eles achavam que eu não podia ouvi-los, mas agora que eu não podia mais ver, parecia que a audição estava se tornando minha nova melhor amiga.   Muita gente tinha morrido.  A poeira espalhada pela bomba era radioativa.  A radiação era perigosa.  Muitas pessoas estavam doentes.  Elas provavelmente também iriam morrer.   

Eles discutiam sobre os boatos. Discutiam sobre o porquê de a energia não ter voltado ainda, discutiam sobre água e comida. Eles pareciam não conseguir parar de discutir. Mas o que mais me magoava é que eles discutiam principalmente sobre mim.  Me encolhi na minha cama e chorei. Meus pais estavam com medo de mim e provavelmente iria morrer. Eu achava que já estava acostumada com a indiferença deles, mas ainda não sabia o quanto ela podia doer. Aquilo doía como um murro no estômago, de repente não sabia mais direito como respirar. Mas os dias foram passando e comecei a me sentir melhor, mais forte. Na verdade, me sentia muito bem.

Senti que o mundo não era mais o mesmo, talvez nunca voltasse a ser, então não ousei me lamentar pelas minhas perdas. Todos perderam algo naquele dia e ao menos eu continuava viva. Ainda tinha uma casa, ainda tinha uma família. Aos poucos tive que aprender a me virar sozinha. Minha audição estava cada vez melhor e, de uma forma instintiva, já conseguia identificar os contornos da casa, já precisava cada vez menos da ajuda dos meus pais. Eles tentavam conversar um pouco comigo, mas eu percebia o receio em suas vozes. Era como se pudesse identificar o tom de suas emoções. 

As semanas foram passando, a energia não voltou, e as coisas ainda pareciam um caos lá em baixo. Porém, podíamos notar que o mundo estava cada vez mais silencioso. Não tínhamos mais como assistir as notícias pela televisão, e nem mesmo os telefones funcionavam, mas a rede de boatos não parava de crescer.  Aparentemente algumas pessoas começaram a viver daquilo. Elas corriam atrás informações valiosas e cobravam para repassá-las. Com seus contatos, não era difícil descobrir quem se interessava pelo quê e quanto eles estavam dispostos a pagar por aquilo. A rede se expandiu rapidamente e se tornou cada vez maior. Essas pessoas começaram a ser chamadas de Sussurros.

Escutei entre os Sussurros que a China tinha conseguido tomar o controle do Brasil, apesar de não fazer ideia do aquilo significava. Eu botava a cabeça na janela e tudo continuava escuro, mas podia sentir a diferença nas ruas. Era como se as pessoas estivessem com medo. Como se elas estivesse se escondendo

A noite chegou, e o dia seguinte também. Comecei a chorar de novo e orava todas as noites pelo retorno deles, mas depois de três dias comecei a perder as esperanças. Parte de mim queria acreditar que algo tinha acontecido, mas a outra parte desconfiava que eles nunca pretenderam voltar. Comi alguns restos que consegui achar pelos armários da casa, mas no quinto dia já não aguentava mais a fome. Consumida pelo medo, sabia que não haveria outra opção, em algum momento eu teria que sair de casa. Tomei coragem e abri a porta, andei às cegas pelo hall e comecei a procurar pelos vizinhos que conhecia.

Tateando pelo caminho e imaginando seu contorno em minha mente, tentando lembrar de todas as vezes que eu já estive ali de frente para aqueles apartamentos, escondida entre as pernas dos meus pais. Eu passava as mãos nas paredes à procura da campainha, mas logo percebi que elas não funcionavam mais, então comecei a bater nas portas.  Em algumas casas havia apenas silêncio, em outras eu escutava seus passos hesitantes, mas eles não abriam para mim. Eu batia e chorava e pedia que me ajudassem por favor, mas ninguém parecia se importar. Descia e subia escadas, me preocupando sempre em memorizar em que andar eu estava para não me perder.

A tarefa era excruciantemente lenta, um degrau de cada vez, tateando por todo caminho. Estava cansada e deprimida. Já estava quase desistindo, mas ainda faltava uma porta para bater, a única que eu não queria.  Todos no prédio odiavam o velho Coronel. Ele estava sempre reclamando do barulho, era grosso com as crianças e parecia não respeitar ninguém. Isso também fazia com que fosse alvo das piores brincadeiras, mal posso contar quantas vezes eu e as outras crianças já havíamos ficado de castigo por elas. Mas eu sabia que ele era minha última esperança, então bati. Escutei seus passos lentos atrás da porta e esperei alguns segundos. Eu não tinha mesmo esperança e não ia me humilhar para ele. Comecei a dar meia volta, mas então escutei sua voz rouca e fraca

QUEM SOMOS NÓS

QUEM SOMOS NÓS

A física quântica entra no campo espiritual para fazer com a ciência quebre suas couraças e se torne cada vez mais próxima da espiritualidade, essa ciência ainda tão desconhecida.

Filme lindo, que faz pensar…

Como me sinto…

Sinto-me como se fosse o sol. Meu rosto está queimando, derretendo, se desintegrando. Meus lábios estão rachados e posso sentir o gosto do sangue quando passo a língua por eles. Os meus braços e ombros ardem, minhas pernas estão dormentes de exaustão, mas mesmo assim não paro. Eu continuo andando, um passo após o outro, não tenho como voltar atrás.

Faz vinte dias que saí de casa, em Brasília, levando na mochila apenas uma troca de roupa, um saco de dormir, comida e água. A água acabou há dois dias, por mais que tenha tentado economizar, e eu pretendia conseguir mais quando chegasse a Belo Horizonte, mas isso também devia ter acontecido dois dias atrás. Pelo menos ainda tenho comida, se é que se pode chamar isso de comida. Essas barrinhas não têm gosto de nada, mas elas ocupam pouco espaço, são leves e me dão força suficiente para continuar andando.

Não sei por que ainda não cheguei a Belo Horizonte, mas não me permito pensar nem por um segundo que possa ter errado o caminho, isso me tiraria completamente o foco e não conseguiria mais sair do lugar. Sendo assim, continuo andando. Devo chegar lá a qualquer momento. Não que eu esteja ansiosa, nos dias de hoje não é muito agradável estar numa grande capital, mas não tenho escolha. Além disso, também não estou com muita vontade de morrer desidratada. Quando decidi partir sozinha para o Rio de Janeiro sabia dos riscos, só não tinha muitas opções sobrando.

Já faz dois anos que os boatos começaram. Os sussurros diziam que nem todos atingidos pela radiação da bomba eram azarados. Comentavam que alguns sortudos conseguiram fazer mais do que sobreviver, que de alguma forma eles teriam desenvolvido habilidades especiais. Não sei o que dizer quanto a isso, não me sinto particularmente sortuda por ter sobrevivido ao que aconteceu naquele dia.

Parecia ser apenas mais um dia comum quando às 09:13h da manhã todos os canais começaram a noticiar sobre a explosão nuclear que tinha acabado de acontecer em Washington, nos Estados Unidos. O choque foi grande, mas ainda não poderíamos imaginar o quanto nosso pequeno planeta iria mudar em menos de 24h por causa daquele evento. Não demorou nem duas horas para que houvesse retaliação, e a próxima bomba caísse no Iraque.

As alianças se formaram na velocidade da luz, e à medida que outras bombas eram lançadas nos Estados Unidos, vários outros países foram atingidos a cada hora. As escolas liberaram os alunos, os trabalhos foram suspensos, e assim todos assistiram dos seus sofás o mundo ruir. Eu tinha apenas doze anos na época e fui mandada para o meu quarto. Não entendia direito o que estava acontecendo, mas podia sentir a tensão das pessoas. Tentei ficar calma, tentei ser paciente enquanto esperava. Porém, às 16:27h da tarde, estava sentada no beiral da janela olhando a cidade do alto enquanto tentava reproduzir suas formas no meu caderno de desenhos. Enquanto olhava, vi uma luz brilhar lá longe. Observei a luz crescer e se expandir, e não entendi o que via até que escutei o barulho. Ele veio seguido por uma forte rajada de vento que me fez cair no chão do quarto…

Os contornos das paredes começaram a perder a forma como se estivessem se desintegrando. Eu fechei os olhos e fiquei lá deitada no chão frio até a terra parar de tremer, meu ouvido parar de zunir e o mundo parar de girar como um carrossel. O silêncio não durou muito, alguns segundos depois eu já podia ouvir o grito das crianças, o choro das mulheres, as sirenes apitando por toda parte. Abri os olhos lentamente, mas nada aconteceu. Fechei-os novamente e esfreguei, tentando limpar minha visão, mas não adiantou, o mundo continuava escuro.

Levantei devagar e comecei a tatear pelo quarto a procura da porta. Minha respiração ficou pesada e inconstante, o pânico ameaçando tirar o melhor de mim. Eu esticava os braços para frente, tentando não bater em nada, mas mesmo assim esbarrei em vários objetos que agora não podia mais identificar. Pisava com cuidado, sentia como se a qualquer momento pudesse cair num abismo, e a angustia crescia como um monstro morando dentro de mim, devorando a pequenas mordidas pedacinhos da minha alma.

Tentei ouvir os sons ao meu redor para saber onde estava indo, mas o caos das ruas sobrepujava qualquer barulho dentro da minha casa. Gritei, chamando meus pais, mas acho que eles não conseguiam me escutar também. Quando finalmente achei a porta e consegui chegar à sala, pude ouvir o chiado baixo do choro da minha mãe e a voz do meu pai que a consolava.

A sombra que me acompanha

Um navio de carga iria percorrer portos ao redor de todo o mundo dali a um ano, isso daria tempo para as pessoas se organizarem e conseguirem chegar lá na data, mas só poderiam entrar no navio pessoas que provassem ter alguma habilidade. Isso significava que eu estava sozinha nessa. Eu não tinha a menor chance. Como eu iria conseguir chegar ao Rio de Janeiro sozinha? Eu estava cega! Eu não podia ler placas, mapas e nem tinha dinheiro para que alguém me ajudasse a chegar lá. Implorei para que o Coronel me levasse, mas ele simplesmente disse: — Sem chances. Se eu queria me livrar dele e do governo, iria ter que aprender a me virar sozinha lá fora, e isso ele estava disposto a fazer por mim, então me ensinou tudo o que sei. Pegou um mapa, traçou minha rota e me fez decorar cada passo do caminho. Sair de Brasília seria fácil, mas quando eu estivesse na estrada não teria pelo que me guiar. Então ele me ensinou a caminhar, me fazendo aprender a andar numa velocidade constante de 4 km/h, o que não é nada fácil. Arrumou um velho relógio digital para mim que apitava a cada hora e assim eu poderia calcular quantos quilômetros eu tinha andado.  Eu sabia que horas deveria começar a andar todos os dias, quantas horas precisava andar, quantos quilômetros estava andando e quando ia encontrar bifurcações e por onde seguir. Às quatro da tarde eu deveria parar para encontrar abrigo antes do sol se pôr. Não dava para fazer muito à noite, neste horário eu era basicamente o que deveria ser desde o início, apenas uma menina cega. Não era um plano perfeito, muito menos preciso ou livre de erros, mas passamos um ano nos preparando para isso e eu saí de Brasília com uma semana de folga para completar minha jornada antes que o navio chegasse ao Rio.

Meu relógio apitou anunciando que já eram quatro horas da tarde. Ainda nenhum sinal de prédios à frente, mas eu não podia estar muito longe de Belo Horizonte. Andei mais um pouco até achar um velho barraco abandonado perto da estrada.  Tirei meu saco de dormir da mochila, tirei os óculos do rosto e as botas dos pés. Comi uma barrinha sem gosto, não porque queria, mas porque precisava, depois fiz uma breve oração, pedindo que Deus me desse as forças que já não tinha mais e me deitei para dormir. Tenho certeza de que não se passaram nem cinco minutos antes que eu pegasse no sono. No dia seguinte o relógio apitava, me avisando que já eram sete horas. Sentia cada ligamento do meu corpo doer enquanto me mexia, mas já devia estar acostumada, sempre que paro para descansar me sinto ainda pior no dia seguinte. Ainda tinha uma hora livre antes de ter que começar a andar de novo, então decidi dar uma vasculhada pelo barraco, ver se achava algo útil. A minúscula cozinha fedia, como se um bicho tivesse morrido ali dentro, o que provavelmente era verdade. Mesmo assim comecei a abrir os armários, à procura de alguma comida com gosto para variar um pouco. Não achei nada nos armários, mas ao abrir a geladeira tive uma feliz surpresa, e não foi o cheiro fétido que saia de dentro dela. Achei uma lata. De quê? Não faço ideia, mas essas comidas enlatadas demoram anos para estragar, então mesmo que esteja vencida, não estou nem aí. Abri e fechei gavetas até encontrar um abridor. Quando terminei de assassinar a lata e a aproximei do meu nariz, senti um cheiro único, maravilhoso, que não sentia há muito tempo. Feijão! Não fiz questão nem de procurar por uma colher, simplesmente virei a lata na boca, apreciando cada grãozinho. Você provavelmente não iria achar tão gostoso assim, mas depois de passar semanas comendo barrinhas sabor isopor, aquilo ali era um manjar dos deuses! Meu estômago reclamava, depois de tanto tempo sem receber comida de verdade, e eu tive que ir correndo até o banheiro. Quando acabei, apertei a descarga, só por força do hábito, mas acabei me assustando ao ver que ela realmente funcionava. Água encanada?

Esse realmente deve ser um dia de sorte, comida e água dando sopa no mesmo local. Tirei as roupas imediatamente e liguei o chuveiro. Não tinha sabonete nem shampoo, mas eu podia sentir as camadas de poeira acumuladas sobre a minha pele se desintegrando na água gelada. Aproveitei para lavar minhas roupas e coloquei a calça jeans e camisa regata extras que tinha na minha mochila. Calcei as botas, coloquei minhas coisas de volta na mochila e os óculos no rosto. Fui para o lado de fora, andei até a estrada e esperei o relógio apitar. Depois de algumas horas andando eu nem sentia mais minhas pernas se moverem. Era como apertar o botão do piloto automático e deixar o corpo fazer o resto. Minha única preocupação era ignorar a dor. Já eram mais de onze horas da manhã quando comecei a pressentir algo esquisito. Agucei meus ouvidos e prestei bastante atenção. Pequenos gravetos se quebravam ao lado direito da estrada, seu ritmo parecia ser constante, me acompanhando. Eu espero que seja um bicho. Eu espero que seja um bicho. Eu espero que seja um bicho. Eu espero que seja um bicho. Eu espero que seja um bicho. Eu espero que seja um bicho. Eu espero que seja um bicho. Virei a cabeça lentamente para o lado. Na linha das árvores que margeavam a estrada pude ver claramente os contornos de um corpo humano enquanto ele se escondia atrás de um tronco. Apesar do sol de rachar, o meu corpo gelou. Eu tinha visto algumas pessoas nas ruas quando saí de Brasília, mas aqui estou completamente sozinha na estrada. O lado positivo é que ele é apenas um, e se quisesse me agredir provavelmente não estaria se escondendo. Mas isso não significa que ele não pode estar querendo me roubar ou algo do tipo, pode estar só esperando pelo momento certo para dar o bote. Não tenho quase nada, mas não posso deixar que alguém tire de mim o pouco que tenho. Continuo andando e decido não parar para comer, simplesmente tiro uma barrinha da bolsa e enfio na boca mal me dando ao trabalho de mastigar. A pessoa continua me acompanhando, e depois de algumas horas consigo ver sua silhueta com mais clareza…

Felicidade duradoura?

Vasculhando na internet a gente acha cada bobagem… como essa matéria brilhante no UOL:

Quais são os atributos de uma pessoa feliz? Inteligência, juventude, beleza, saúde? Embora a maioria acredite que isso tudo as faria mais satisfeitas, estudos mostram algo diferente. Boa educação, informação e capacidade cognitiva privilegiada, por exemplo, não são garantias de que alguém será capaz de fazer boas escolhas para si mesmo. Ser jovem também não ajuda muito. Na verdade, pesquisas indicam que idosos valorizam mais as experiências do presente, tendendo assim a ser mais felizes que os jovens. Depois dessa fase, o nível de satisfação (da maioria, pelo menos) sobe. Beleza? Embora seja uma característica extremamente valorizada e os mais atraentes muitas vezes consigam pequenas vantagens como elogios ou atenção, ser belo não é suficiente para sustentar a admiração de alguém ou manter relações duradouras. Saúde? Esse aspecto é certamente muito importante para a qualidade de vida, porém, não está necessariamente relacionado com felicidade. Muitas pessoas saudáveis não valorizam esse benefício e, por várias razões, são infelizes.

Dois fatores, porém, têm sido apontados como aqueles que proporcionam felicidade duradoura. Um deles é a capacidade de manter fortes laços afetivos. Pessoas que vivem relacionamentos amorosos estáveis e harmoniosos, por exemplo, costumam ser mais felizes do que as solteiras; alguns especialistas chegam a dizer que o casamento acrescenta, em média, sete anos de vida ao homem e quatro à mulher. Outro fator é conferir significado à própria existência, por meio da crença em algo superior a si mesmo, derivada da espiritualidade ou de uma filosofia pessoal de vida. Em outras palavras, um propósito externo que nos faça sentir que fazemos parte de um “todo”- e podemos contribuir para algo importante, maior que nós mesmos e além da existência humana tão limitada.

Que papo é esse de felicidade duradoura, UOL?

Felicidade é um dente de uma engrenagem… hora é com ela, hora não é. Só é feliz quem já foi triste. A vida é uma montanha russa. A felicidade é sinuosa, vai e vem, aparece e desaparece. Bobagem sua achar que a sua felicidade será duradoura… até porque, se ela for, vai te entediar até a beira da loucura!

Seja feliz e seja triste! Mas seja, sinta, viva!

 

Passos e sussurros

Ouvi passos pela casa, e pequenos sussurros. Eu esperei e esperei, até que finalmente senti algo na minha mão, mas a textura não era a da sua pele macia. Ela tinha botado uma luva. Sei que estava toda suja de poeira e que minha mãe estava assustada, mas tudo que precisava era que ela me confortasse nos seus braços, como fazia quando eu ainda era uma garotinha. Agora suas luvas pareciam uma barreira entre nós e eu me sentia verdadeiramente rejeitada, apenas uma obrigação e um peso na sua vida. Tive que apertar os olhos com força para impedir que mais lágrimas caíssem.

Ela me levou até embaixo do chuveiro e esperou enquanto eu tirava as roupas. Abriu a água e colocou o sabonete em minha mão. Depois que acabei me enrolou numa toalha grossa e me levou até o quarto. Sentei na cama e escutei enquanto gavetas e portas abriam e fechavam. Senti algo sendo botado ao meu lado e sua voz suave me dizendo que eu me vestisse.  Ela parecia estar tentando se controlar, como se pudesse simplesmente pirar a qualquer momento se mais alguma coisa desse errado. Coloquei a roupa, me esforçando para aguentar firme e ser forte por ela, mesmo estando completamente apavorada. Ela me ajudou a deitar na cama e saiu do quarto silenciosamente.

A Lei da atração

A Lei da atração

Documentário completo sobre estudos que comprovam que os nossos pensamentos afetam diariamente as nossas atitudes e sentimentos.

Se você quer entender melhor a sua realidade, precisa ver esse filme!